Um poeta sertanejo contra o Coronavírus

Sebastião fez sua primeira poesia aos 22 anos no dia das mães de 1962 e hoje faz sucesso nas redes sociais com uma poesia dedicada ao combate à pandemia

Texto: Fabrício Furtado

Ainda que para alguns artistas 22 anos de idade possa parecer tarde para iniciar uma carreira nas artes, para o lageano nascido em fazenda, Sebastião Araujo Godoi (80), a inspiração nunca chega tarde.

Em visita ao superintendente da Fundação Cultural de Lages, Giba Ronconi, ele conta que fez sua primeira poesia em 1962 para homenagear a sua mãe e a sogra pela passagem do dia das mães daquela época, e depois disso, a poesia fez parte da sua vida, sempre associando as palavras ao estilo sertanejo.

Sebastião fez carreira no rádio com programas do mesmo tema das suas escritas. Em 1966 partiu para Curitiba para cuidar de um filho doente. Sem trabalho, investiu o pouco que tinha para comprar um horário na rádio Tapajós em São José dos Pinhais, onde apresentou o programa Paisagem Sertaneja.

De volta a Lages, em 1970, tomou os microfones da Rádio Diário da Manhã com o programa Alvorada Sertaneja.

O escritor diz ter ficado parado por muitos anos, até ser notado declamando em um churrasco, onde foi aconselhado a integrar a Associação Lageana de Escritores (ALE). Em 2012 foi recebido pelo também escritor Névio Fernandes, então presidente da associação. Neste mesmo ano começou o processo de criação do seu primeiro livro de poesias, intitulado de “Reflexão, Tempo e Vida”, lançado em 2013 com o apoio da Fundação Cultural de Lages (FCL).

Sucesso no facebook com mensagem de conscientização

Os 80 anos não afastam Sebastião das tecnologias. Ele é adepto da rede social Facebook e utiliza uma nova forma de tornar seus poemas e poesias conhecidas. O texto vira fala, e o poeta e ex-radialista fica em frente à câmera.

O vídeo com o poema “Fique em Casa” já tem mais de 4 mil visualizações, e o recado de Sebastião é uma forma de conscientizar as pessoas de um jeito bem conhecido do serrano nesse período de distanciamento social. “Para um homem de oitenta anos criado na lida do campo e acostumado com as coisas bem simples, ser lembrado por quatro mil pessoas na internet é muita coisa. Eu quero que cada vez mais as pessoas vejam, compartilhem e façam bom uso do meu recado”, diz orgulhoso.

Para assistir ao poema, basta acessar a página da Fundação Cultural no facebook. Assista

Fotos: Fabrício Furtado